quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Jackson Barreto e a Operação Cajueiro


Carlos Cauê


Hoje a Operação Cajueiro completa 37 anos. Não é motivo de celebração. É motivo, em vez disso, da mais completa execração possível. A última grande investida da ditadura militar instaurada em 1964 prendeu, torturou e processou algumas das mais importantes lideranças de esquerda sergipana, manchando para sempre a política e se tornando uma página obscura na nossa história.
A Operação Cajueiro entrou com destaque para a história por três grandes razões. A primeira foi a violência com que foi conduzida, impressionante até mesmo para os padrões já altos da ditadura. Lideranças importantes como Jackson de Sá Figueiredo, Marcélio Bonfim, Rosalvo Alexandre, Milton Coelho e Wellington Mangueira foram presas e torturadas. Milton Coelho, por exemplo, ficaria cego em decorrência das agressões.
A segunda é a sua extemporaneidade. Àquela altura, início de 1976, a maior parte dos movimentos de resistência tinha sido aniquilada pela ditadura militar. A abertura anunciada por Ernesto Geisel já começava a se mostrar, timidamente. O milagre brasileiro chegava ao fim, vitimado pela crise do petróleo, e a ditadura se via prestes a entrar em uma luta interna ferrenha pela sucessão de Geisel, que culminaria na demissão de Sylvio Frota e na indicação de João Figueiredo para presidente.
A última questão é simples: por que Sergipe? Justamente o menor Estado do país como palco de um dos mais violentos episódios da ditadura? Uma operação desse tipo faria mais sentido, pela lógica sórdida de um estado de exceção, em metrópoles como São Paulo ou Rio de Janeiro; a razão pela qual escolheram Sergipe, na época, era aparentemente inusitada.
Há reflexões que podem ser apontadas. Em grande parte do país, o crescimento da oposição, representada pelo brilhante desempenho eleitoral do MDB, em 1974, deixou os militares em polvorosa. Aqui, além de o fenômeno ter se repetido com notoriedade o MDB elegeu vários deputados e até mesmo um senador, Gilvan Rocha   a esquerda e o antigo PCB sempre foram muito bem organizados. Isso preocupava cada vez mais os militares, mas especialmente os donos dos poder local, que assistiam ao avanço de um movimento de renovação que eles pensavam haver extinguido em 64, com o golpe.
Não foi à toa que a malfadada Operação, que a tantos vitimou, parecia a todo o momento ter um alvo dileto: a liderança nascente de um jovem deputado estadual, Jackson Barreto, que da tribuna da Assembleia Legislativa fortalecia-se como uma das principais e mais ativas vozes na resistência à ditadura e na luta pela redemocratização do Brasil.
Por ser deputado e ter grande visibilidade, Jackson não chegou a ser preso na Operação Cajueiro. Mas o nível de perseguição que se seguiu foi significativo. Os militares sabiam que Jackson era um político bem relacionado com toda a esquerda e o movimento popular nacional. Arrancado da Assembleia, processado pela ditadura, Jackson foi acusado de, com seu salário de deputado, sustentar financeiramente o movimento de esquerda em Aracaju. O que se seguiu foram inúmeras sessões de interrogatórios e acareações.
Essa perseguição tinha um objetivo óbvio: tirá-lo da vida pública e impedi-lo de se candidatar a deputado federal em 1978. Defendido por Josaphat Marinho, advogado e senador baiano que se notabilizou na defesa de vítimas da ditadura, Jackson foi absolvido no processo que o regime militar moveu contra ele. Mesmo assim, o procurador militar recorreu: decididamente, não interessava à ditadura e às forças conservadoras locais ver Jackson Barreto livre.
Esse medo não era infundado: Jackson foi eleito deputado federal em 1978 como o mais votado em Aracaju e despontou a partir dali como a maior liderança popular da época.
Talvez seja por isso que recentemente, em visita a Sergipe, a presidenta Dilma Rousseff, ela também perseguida pelo regime militar, não tenha poupado menções e elogios a ele.
Dilma se referia ao Jackson Barreto de hoje, mas, sobretudo, àquele companheiro que, como ela, entrou na mira de uma das mais violentas ditaduras que o Brasil já conheceu ao lutar pela liberdade e pela democracia; ao companheiro que, como ela, teve a coragem e a garra necessárias para combater a injustiça e a ilegalidade.
Dilma Rousseff falava do político destemido, que não teve medo de enfrentar uma ditadura criminosa e violenta. Em Jackson, Dilma viu a sua imagem refletida no espelho; lembranças de um tempo em que as pessoas precisavam ter a ousadia de se levantar contra a opressão. Jackson Barreto, assim como Dilma Rousseff, foi uma delas.
Por isso mesmo, é difícil, hoje, pensar na democracia em Sergipe e no Brasil sem levar em consideração a figura deste homem, cuja combatividade deu uma significativa contribuição para a sua construção. Não apenas como parlamentar, ou no combate à ditadura. Mas, principalmente, na concretização dos ideais de justiça e igualdade de toda uma geração. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ao deputado Zé Franco


Amanha é a diplomação do meu amigo Prefeito Fábio Henrique e do Vice-prefeito Dr. Job. Um abraço ao prefeito, ao vice e a todos os vereadores, vereadoras e suplentes que serão diplomados. Meu abraço ao amigo Fábio Henrique. Não estarei presente, foi a forma que encontrei para protestar contra o voto do deputado Zé Franco, que votou contra o Proinveste, tirando recursos do nosso estado, que poderia ajudar com muitas obras o município de N. Sra. do Socorro.
Zé Franco, quando você votou contra o Proinveste, você votou contra a construção de escolas, creches, você votou contra a construção de galpões para a instalação de novas indústrias, que vão gerar emprego para o povo do seu município. A juventude que está precisando trabalhar não perdoa aquele que se coloca contra os interesses do povo.
Você precisa refletir Zé Franco, afinal de contas, Marcelo Déda perdeu a eleição em Socorro, mas veja o que é um homem público republicano e democrata, e tome como um exemplo para você.
O governo Déda recuperou 42 km da malha viária do complexo Taiçoca (que engloba o João Alves, Marcos Freire I, II e III, Fernando Color, Albano Franco) que estava todo esburacado, desde a sua gestão como prefeito. O governo Déda construiu duas clínicas de saúde em Nossa Senhora do Socorro. O governo Déda está reconstruindo o hospital de Socorro, e no Proinveste estavam os recursos para equipar os hospitais de Socorro, Itabaiana e Nossa Sra. da Glória. E você votou contra Zé Franco...
O governo Déda investiu R$ 10 milhões na reforma e ampliação e construção de quadras de esporte das escolas do estado em N. Sra. do Socorro. E você Zé Franco, votou contra o Proinveste, que prevê construção de escolas, inclusive no conjunto Jardins, do antigo Caique, que desabou.
O governo Déda fez a iluminação pública do Distrito Industrial de Socorro até a sede do município, para trazer segurança às pessoas da Taiçoca e da sede que trafegam por ali. O governo Déda, Zé Franco, asfaltou o parque dos faróis, toda a entrada da DR até embaixo, próximo ao Rio Poxim, e pavimentou o parque dos faróis praticamente todo.
Inclusive, reformando a escola estadual José Sampaio, naquela área.
Para refrescar sua memória, Zé Franco, foi no Parque dos Faróis que Fábio Henrique teve a sua maior vitória, ganhou com mais de cinco mil votos de diferença. Sabe porque Zé? Não foi pelo seu prestígio, foi pelas obras que o governador Déda fez no Parque dos Faróis, e que Fábio Henrique reconhece.
No Guajará e na Palestina também tem obras de pavimentação do governo Déda. A nova entrada de Aracaju, pela 235, encontrando a BR 101, corta os povoados Santa Cecília, Sobrado e São José. Todos em N. Sra. do Socorro. Uma obra grandiosa, que vai dar novo acesso a Aracaju e que vai se chamar rodovia Dr. Lauro Porto. E você, Zé Franco, votou contra esse governo que está ajudando Nossa Sra. do Socorro.
Zé Franco, você já visitou as famílias que moram debaixo da ponte do João Alves, na beira do Rio do Sal? Eu acho que não... São 600 famílias que o governo Déda está construindo aí em Socorro 600 casas para tirar o povo da maré. E você votou contra o Proinveste, para trazer recursos para Sergipe, para ajudar a pobreza. E você se diz representante de Nossa Senhora do Socorro? Dói, Zé Franco, na alma de quem tem compromisso com a pobreza.
As praças da juventude que estão sendo construídas em Nossa Senhora do Socorro tem a nossa participação. As avenidas, com ciclovia, tem nossa participação. Eu fiquei muito decepcionado com o seu voto. Evidente que você não vai gostar do meu comentário. A mim não me preocupa nem um pouquinho. Mas você ainda tem tempo de se recuperar. Nós vamos dar a você e a N. Sra. do Socorro mais uma oportunidade de você mostrar que realmente gosta de Nossa Senhora do Socorro, porque o Proinveste vai voltar. Você sabia Zé Franco, que essa BR 101 duplicada, com entrada para Socorro, com viaduto na entrada da sede do município, é obra do governo federal, iniciada por Dilma e por Lula, e sendo concluída agora por Dilma Roussef?
Meu amigo, não tenha raiva nem ressentimento das pessoas que trabalham pelo povo.
Déda perdeu a eleição em Nossa Senhora do Socorro, mas mesmo assim provou na prática que ama mais Socorro do que você Zé. Fábio Henrique, seja feliz, estou às suas ordens... E aconselhe mais Zé Franco a ajudar Nossa Senhora do Socorro. Zé Franco, eu não lhe desejo nenhum mal. Quero que você seja feliz. Mas deixe o povo de Socorro também ser feliz.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A BELEZA DA DEMOCRACIA

Fui um dos processados durante a Operação Cajueiro. Era deputdao estadual, foram me buscar na Assembléia Legislativa e passei um dia detido. Vários amigos foram torturados, inclusive Milton Coelho, que ficou cego. Goisinho e Marcélio Bonfim também foram torturados.

No quartel do 28° BC, um oficial colocou o dedo na minha cara e falou assim: "Deputado, aqui as pessoas falam o que quer e o que não quer". Ao lado de 18 companheiros fui julgado e absolvido, na 6ª Região Militar, em 1978.

Por isso esse artigo publicado no último domingo, pelo jornalista Luiz Eduardo Costa, no JORNAL DO DIA, me emocionou. Afinal, quem fez história, tem história.

SEGUE O ARTIGO:

A BELEZA DA DEMOCRACIA

É recorrente truísmo dizer-se que a democracia é o melhor sistema político, enquanto outro não for descoberto. Como até hoje não se registrou a auspiciosa invenção, a democracia permanece dando provas de que é preciso insistir sempre para que ela se aperfeiçoe, sobretudo, no nosso caso, nunca mais nos abandone. Realizou-se, semana passada, a solenidade de transmissão do comando no quartel do 28º Batalhão de Caçadores de Aracaju. Convites expedidos, a sociedade em geral lá compareceu para prestigiar a posse do oficial que assumia, e despedir-se do que deixava o comando.

Uma integração espontânea, entre civis e militares, uma forma de homenagear o Exército Brasileiro, não por sabujismo ou adulação, como antes, mas, pelo reconhecimento do que representam as forças armadas na arquitetura democrática do poder nacional. Para quem viveu os tempos do autoritarismo, da ditadura escancarada, ficou a lembrança do que em ocasiões semelhantes acontecia. Os convites expedidos não eram simplesmente convites, eram convocações. E antes de serem postados, se fazia a avaliação pelos órgãos de segurança se os destinatários poderiam se incluir mesmo na relação daqueles considerados ¨bons brasileiros ¨, os outros, sempre excluídos, eram os deletérios subversivos, ¨ inimigos da pátria¨, portanto, indignos de penetrarem num quartel, a não ser se fossem conduzidos presos.

Em 76, quando a abertura lenta gradual e segura preconizada pelo presidente Geisel já estava em curso, um grupo de militares extremados resolveu tumultuar o processo, realizando prisões, e Aracaju foi um dos locais incluídos na planilha identificadora da ¨subversão.¨ O quartel do 28º BC, à revelia da maioria da sua oficialidade, foi tomado por militares que vieram para comandar a dura repressão, incluindo a mais abjeta e covarde tortura. Naqueles dias, Jackson Barreto , deputado federal, foi chamado ao quartel. Lá, um coronel ríspido lhe disse: ¨Deputado, aqui se fala o que se quer, e se for preciso, o que não se quer.¨ Jackson chegou como governador em exercício à solenidade de transmissão do comando para prestigiar os militares. Foi saudado com as honras de estilo.

Resumo da ópera: as ditaduras são absolutamente desnecessárias. Há sempre um equivoco trágico em toda concepção totalitária, tenha ela a cor que nela seja pintada. E é exatamente isso o que nos ensina a democracia. Jackson Barreto, como o tempo mostrou, não representava nenhum perigo para as instituições, nem precisaria ser ameaçado, pelo coronel atrabiliário, de falar o que não queria. Os militares também, com o tempo, descobriram que o poder excessivo e inconstitucional não lhes fez bem, não ajudou a fortalecer instituições, muito menos às forças armadas, agora, mais do que nunca respeitadas, exatamente pela obediência ao poder civil, com suas funções dignificadas, por não serem mais confundidas como praticantes da vergonhosa tarefa atribuída aos ¨capitães do mato¨.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Chefe de torcida X Darlene

Coluna do jornalista Cláudio Nunes, do dia 16/12.
segue o link:

http://www.infonet.com.br/claudionunes/ler.asp?id=121906&titulo=claudionunes


Almeida volta a atacar imprensa

O titular deste blog e os jornalistas Carlos Batalha e Luiz Eduardo Costa foram“escalados” pelo governo, pelo senador Valadares e pelo ex-governador João Alves Filho para “baterem” no deputado federal Almeida Lima. É a opinião de Almeida Lima exposta ontem no programa Impacto da rede Ilha. Chamou o que escreveu Luiz Eduardo Costa de “excremento humano”.

“Quatro ou cinco jornalistas escalados pelos dois lados, do governo e do ex-governador João Alves contra mim”, disse Almeida Lima ao ser entrevistado ontem na rede Ilha. Ele afirmou que toda essa orquestração é porque ele passou para a oposição. “João Alves não pode fazer oposição porque vive amordaçado pela Navalha”.

Com sua natural modéstia na entrevista Almeida Lima deixa claro que ele é o único que “encarna” a verdadeira oposição em Sergipe e por isso o próprio governo incentiva o nome de João Alves como candidato da oposição porque é mais fácil derrotá-lo.

Mais tarde, Almeida Lima enviou para imprensa um artigo “A agonia será, apenas, do Escrevinhador Chefe de Torcida?”, onde faz diversos elogios ao titular deste espaço, desde a credibilidade, passando pelo “lixo” que escreve, fixação, decadência e defesa dos corruptos. Logo ele, Almeida Lima fala em corrupção quando foi o escudeiro mor de Renan Calheiros no Senado Federal.

Almeida Lima não tem o que falar do titular deste espaço, que nunca pediu nada para ele. Pelo contrário, no ano 2000, foi convidado por Valadares para participar da campanha dele a prefeito de Aracaju, mas não aceitou. Preferiu participar ativamente da campanha de Almeida Lima sem pedir nada. Pelo contrário gastou do próprio bolso. Talvez a agonia dele seja essa: chama de lixo o que num passado recente achava o luxo. Não tem como atacar a honra e o caráter do titular deste espaço. É o dono da ética e da verdade.

O desespero de Almeida Lima é um só: 2012 e a campanha em Aracaju. Ele sabe que seu tempo passou. Que não representa nenhuma Nova Ordem, pelo contrário, representa o atraso e que todos da imprensa que o criticam estão à serviço de algum político.

Pobre Almeida Lima, morrerá eleitoralmente enforcado em sua própria língua, assim como a Darlene, personagem de uma novela Global, que serviu de apelido para ele quando Senador, porque fazia tudo para aparecer na mídia. Apelido este dado não por algum jornalista sergipano, mas pela própria imprensa nacional. Com certeza Almeida dirá que a imprensa nacional estava à serviço de alguém.

Pobre Almeida que não tem nada para dizer aos aracajuanos e prefere soltar a língua de Darlene para todos os lados. Ataca todos os políticos e agora parte da imprensa. Esquece que assim como em 2008, onde fez uma campanha rica e acabou em terceiro lugar. E sabe que em 2012, se tiver coragem de ser candidato, perderá novamente.

Quanto ao titular deste espaço, Chefe de torcida sim e de preferência a do Flamengo. Melhor do que ser chamado de Darlene nacionalmente, que não passa de uma mera animadora de torcida, que para chamar a atenção na novela tem que vestir roupas curtas e dançar muito nos estádios da vida...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

PROVAS

Esta é do jornalista Ivan Valença, na coluna COLUNÃO, no Jornal da Cidade do último domingo:


Provas


Arauto da ética e da moral, o agora deputado federal Almeida Lima foi pego de calças curtas. A denúncia do jornalista Luís Eduardo Costa – de que ele ficava com boa parte dos salários dos servidores do seu gabinete no Senado – levou-o ao rádio praticamente todos os dias para destratar o jornalista. Como se sabe, o jornalista que é contra ele está “sempre a serviço de alguém”. Agora, provar que a denúncia era mentira isso ele não provou.
No seu gabinete no Senado, Almeidinha empregava primos e primas carnais e mais os srs. João Farias e Valdemar, para só citar estes. Até com servidores que moravam em Sergipe, era costume ficar com os cartões para retirar o dinheiro e só devolver a eles quanto lhe interessasse. Por causa disso, um ex-vereador preferiu deixar de ser seu fiel escudeiro. Com muitos desses funcionários, ele saiu brigado. Se a denúncia é mentira, Almeidinha está na obrigação de apresentar depoimentos desses servidores desmentindo os fatos...

Segue o link:

A PROPÓSITO DE PAVÕES, E DE SERPENTES

Texto publicado na coluna do jornalista Luiz Eduardo Costa, no jornal O DIA do último domingo:


Há, num recanto sertanejo de Sergipe, um vistoso trio de pavões, aquelas aves coloridas, extremamente vaidosas, em estado permanente de exibição narcisista. Olhando os bichos fazendo círculos com as penas do rabo estendidas em forma de leque, uma pessoa que estava a contemplar o espetáculo de pavoneante ostentação, perguntou a outra: qual o apelido que devo botar nesses bichos tão exibidos ?

E ouviu a resposta imediata: Almeida Lima.

Desde então, a todos os que chegam a visitar o sítio, quando aparecem os pavões é feita a mesma pergunta: Com quem se parecem esses bichos?

E a resposta é sempre a mesma: Almeida Lima.

Os que enxergam similitudes entre o vaidoso balé revoluteante dos emplumados pavões presunçosos e a pose arrogante do ex- senador Almeida Lima, terão de render-se a uma nova realidade . Ele está tentando ser mais coruja. Aquela ave, que parece viver em estado contemplativo, é, entre nós, o símbolo da sabedoria, e o ex-senador encoruja-se, sem abandonar, todavia, o estilo do pavão belicoso. Enquanto agride, busca também um incipiente filosofar.

Depois de muito contemplar-se no espelho, (as vezes, adverte Umberto Eco, a imagem no espelho pode ser uma simples ilusão ou experiência alucinatória) depois de muito remexer gavetas onde guarda fotos escolhidas, colocou uma delas encimando um escrito intitulado Oposição Sem Ódio e Sem Medo, publicado no blog do deputado Gilmar Carvalho. Cita então, o ex-senador, o poeta e pensador francês Paul Valéry, a quem chama de filósofo, dele aproveitando uma frase: ¨Os incapazes de combater o pensamento combatem o pensador¨.

Não demora, o ex-senador que momentaneamente troca as plumas multicoloridas e exibicionistas do pavão pelas cinzentas penas da recatada coruja, assim, dando a si mesmo o título de filósofo, vai querer botar o seu próprio rosto naquela famosa escultura de Rodin. Já imaginaram ? Almeida, O Pensador, esculpido numa imensa estátua, colocada exatamente em frente à sua mansão, O Chateau

D `Almeida? A pronúncia é francesa: ¨Chatô Dalmêdáa.¨

Quando associam o ex-senador ao pavão, as pessoas não fazem apenas uma junção de vaidades, há mais semelhanças. O pavão é bicho bipolar. Convencido, enxergando-se como grande celebridade, pomposamente, passa horas a exibir-se. Quem assim o vê, nem imagina do que o bicho é capaz. O pavão, exageradamente ególatra, é também odiento. Acumula rancores, vive a rezingar com a própria sombra. Não se conforma, porque a sua sombra não é também colorida, como as suas penas. O pavão, é, além de tudo, um bípede emplumado cheio de complexos.

Embora o seu gênio anti-social seja pouco conhecido, aparecendo mais o face vaidosa, é ave de péssimo caráter. Não tolera ao seu lado nenhum outro bicho, todos são seus inimigos, ataca até aqueles da sua própria espécie. Mas guarda um lado manhoso, disfarça, as vezes consegue até ocultar os distúrbios,( seriam psíquicos? ) que tanto o tornam inquieto. No silencio calmo da noite o pavão costuma despertar soltando grasnidos terríveis. Deve ser vítima, também, de infernais pesadelos. Haveria analistas para pavões ?

Esqueçamos o pavão, que entra nesta estória apenas como figurante da fábula, sempre próxima à realidade da vida. Voltemos ao ex-senador. Houve uma inexpressiva nota publicada nesta página no último domingo, que repercutiu muito na mídia sergipana.

Reproduzimos a nota intitulada Uma denúncia que vai render que motivou os costumeiros impropérios de Almeida Lima: ¨Há um ex-assessor do ex-senador e agora deputado federal Almeida Lima dizendo ter como provar que ele tinha conhecimento de que, um seu auxiliar de confiança, guardava os cartões bancários dos seus assessores, e deles retirava, em alguns casos, até oitenta por cento dos salários. Garante o assessor que vai levar o caso à Comissão de Ética da Câmara Federal.¨

Só isso, nada mais do que isso.

O ex- senador sentiu-se ofendido, desatou a fazer acusações, xingamentos, agressões, grosserias deselegantes. A sua especialidade.

Não precisaria tanto. Defensor da ética, da transparência, implacável inimigo da corrupção, a ele bastaria esclarecer, desfazer as suspeitas, simplesmente mandando que todos os seus assessores nos tempos de senador, solicitassem, ao banco onde tinham contas, os seus extratos. Pela movimentação deles, se verificaria, com facilidade, se houve ou não a invasão de uma mão esperta nos salários dos servidores.

Falamos, e muito, em pavões, até em corujas, mas há que lembrar também de ofídios. No mesmo Paul Valéry, autor citado pelo pavão, desculpem-nos, Almeida Lima, vamos encontrar, em Monólogos, algo sobre serpentes.

Transcrevemos: ¨A serpente come a própria cauda. Mas é só depois de um longo tempo de mastigação que ela reconhece, no que ela devora, o gosto da serpente. Ela para... então... Mas, ao cabo de um outro tempo, não tendo nada mais para comer, ela volve a si mesma....

Chega então a ter a sua cabeça em sua goela

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sobre o DEM em Brasília

Sobre os recentes escândalos envolvendo o DEM em Brasília, tenho uma avaliação a fazer. O Brasil tem hoje uma juventude que possui forte consciência política. Uma juventude engajada, preparada, crítica e politicamente definida, além de comprometida com o futuro da nossa gente.

Essa sujeira que está acontecendo e Brasília agride a todos, mas, avalio eu, que agride de forma mais profunda, a juventude, porque tira dela o seus sonhos. Porque desestimula as vocações para a vida pública, desestimula as pessoas de bem a entrarem na política, cortando dos dicionários da juventude a palavra esperança.

Fico pensando como vamos andar por este país em 2010, sendo cobrados e questionados, por causa de tanta imundície na vida pública, tanta irresponsabilidade e falta de comprometimento. Há um excesso de ambição e desamor ao povo.