Ubiratã Suassuna
Como Jackson em Aracaju,
Rudolph Giuliani foi prefeito de Nova York por duas vezes. Guardadas as devidas
proporções, os dois podem ser considerados marcos indiscutíveis no histórico de
administrações de suas respectivas cidades. A trajetória política de cada
um foi temperada com singulares traços de personalidade ,
elementos essenciais para a tessitura do espírito político altamente
combativo , poder carismático e magnetismo pessoal impressionantes.
Na ação governamental, enquanto
Giuliani fez da tolerância zero [o eficiente programa de combate à
criminalidade] um dos eixos de sua administração, Jackson decretou por aqui uma
espécie de tolerância zero com as desigualdades sociais na capital. Os dois
trataram a educação com zelo máximo, mudando substancialmente o que encontraram
para melhor.
Giuliani teve a sua apoteose
como prefeito num [literal] estrondoso momento, quando da explosão das torres
gêmeas, no episódio de 11 de setembro de 2001. Por sua ação diante da
calamidade, foi aclamado como líder máximo dos nova – iorquinos.
Jackson, por sua vez, tem duas
dimensões áureas coroando o seu trabalho. A primeira, no início dos anos
90,quando a sua liderança inconteste foi reconhecida como o comandante-mor de
toda uma geração , de onde sairiam quatro prefeitos para Aracaju.
Nacionalmente, o mesmo destacou – se como um dos políticos de maiores
influência popular do país naquele momento.
A segunda dimensão do
reconhecimento é mais sutil. Esta, dá-se pelo conjunto e extensão da
obra.Nela está a gênesis de uma verdadeira revolução que ocorreu na cidade,
efetuada pelo meritório trabalho dos sucedâneos prefeitos da capital eleitos
com o seu apoio.
Do ponto de vista da performance política,
há um traço característico, tanto em Jackson quanto em Giuliani que, para mim,
constitui-se numa qualidade admirável: Eles são transparentes.
É de domínio público a
percepção de que os políticos são seres artificiosos, que usam máscaras para
esconder as suas reais intenções. Jackson ,não.Tudo o que ele sempre quis dizer,
disse, às claras, em plena luz do sol.Giuliani também.
Os dois são, acima de tudo,
homens de atitude.
A ação de Jackson como prefeito
de Aracaju, a partir de 1985, foi uma demonstração efetiva da sua rebeldia
contra oestablishment.
Num momento da história em que
o poder público primava por beneficiar apenas os mais ricos, privilegiando as
áreas ditas nobres da cidade, reservando aos pobres apenas as migalhas, ou os
engodos – anzóis para fisgar votos em cardumes, ele subverteu a ordem e levou a
ação da prefeitura para a periferia, promovendo uma verdadeira revolução
social.
Sua práxis feriu
mortalmente o ego do sistema, que não pensou duas vezes antes de lhe cravar
suas grandiosas garras.
Mesmo com o duro golpe, o herói
popular mostrou-se indestrutível. Em 1993, veio uma nova gestão, mais uma
vez marcada por sua preferência pelos mais pobres.
Diante disso tudo, considerei
por demais significativa a “declaração de amor” à Aracaju feita por ele, em seu
twitter e facebook, nesta ocasião de comemoração do aniversário dos 158 anos da
capital.
Neste remember de
obras e feitos, dentre tantas, a criação do Sistema Integrado de Transportes
Urbanos avivou um grande brilho em mim. Com esta ação, Jackson, à época,
colocou Aracaju na vanguarda nacional das administrações de cidades, superando,
inclusive, Curitiba, administrada pelo renomado urbanista Jaime Lerner. Aqui,
além da grandiosidade do feito, destaca-se uma das principais marcas de
Jackson [ e de Giuliani] : a inovação.
Guiado por seu espírito
visionário, com ações simples e essenciais, Jackson é profundamente inovador em
sua forma de administrar. Para ilustrar isso ,basta dizer que ele foi um
dos pioneiros do país a destinar ,prioritariamente, os recursos públicos para
os mais carentes.
Se os Nova-iorquinos enchem-se
de orgulho por ter tido um Prefeito como Giuliani [1994-2001], Aracaju celebra
os seus 158 anos ciente de ter sido tão bem cuidada nos últimos tempos, graças,
sobretudo, à coragem e ao espírito irrequieto, sensível e igualitário do atual
vice-governador de Sergipe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário